Relato Mizuno Uphill Marathon 2017

Quando soube da existência da Mizuno Uphill Marahton, há 5 anos, nunca imaginei que um dia encararia este desafio. Só de olhar as fotos da Serra do Rio do Rastro batia aquele frio na barriga imaginando como que uma corrida de rua passa por ali, ainda mais uma maratona.

Créditos: Rômulo Cruz, Marcelo Maragni, Wladimir Togumi.

Sempre achei este desafio muito longe da minha realidade, sou apaixonado pelos 21k e a maratona (42k) nunca foi minha primeira opção. No final de 2016 recebi o convite da Mizuno para ser embaixador da prova e participar dos 42k ou dos 25k. Claro que escolhi os 25k, sem sombra de dúvidas e achando louco quem escolhe correr 42k com aquela serra imponente pelo percurso.

Já em 2017 decidi encarar a Maratona do Rio, que aconteceu em junho. Fiz os treinamentos com o acompanhamento do meu treinador Antônio Caputo da Equipe Speed, porém tive um lesão no pé e não treinei o suficiente para fazer uma prova do jeito que eu queira. Resultado, quebrei no quilômetro 35 e alternei entre caminhada e trote por mais 7km. Pelo que havia treinado o resultado foi o esperado e fiquei satisfeito.

O sentimento de que poderia ter feito melhor ficou entalado e algumas semanas depois um pensamento ficou martelando na minha cabeça: “Já que a Mizuno me convidou para a prova de rua mais desafiadora do Brasil, por que não fazer a maratona e conhecer o percurso completo? “. Acredito que é melhor se arrepender de algo que foi feito do que de algo que deixou de fazer. Entrei em contato com eles e foi assim que entrei para o desafio de correr a Mizuno Uphill Marathon 2017.

Preparação

Confesso que adotei a frase: “a ignorância é uma benção“. Quanto menos eu soubesse da prova seria melhor pra mim. Sabia que o mais importante era respeitar a magnitude da serra, a distância de 42km da maratona e sempre escutar os sinais que o corpo iria mandar. O trabalho mental se tornou super importante.

Depois da Maratona do Rio, foquei meus treinos para o meu sonhados sub 1h30 nos 21k e a prova alvo foi a Golden Run Rio, que aconteceu no final de julho. O treinos encaixaram de uma maneira espetacular, fiz a prova sem erros e conquistei a marca de 1h29min e alguns segundos. Na semana seguinte entrei em férias do trabalho e aproveitei para descansar e comer tudo que tinha pela frente. Com isso a Serra do Rio do Rastro ficava cada vez maior.

Terminada as férias, quase sem treinos, participei da Meia Maratona Internacional do Rio. Acho que todas as calorias acumuladas serviram para alguma coisa e acabei fazendo uma boa prova e ficando mais animado para a Mizuno Uphill, mas treinos de subidas que deveriam ser o foco não passavam nem perto de mim. Sendo bem sincero, fiz apenas dois treinos de subida, no parque da cidade, em Niterói. Um de 18km, que terminei destruído e outro de 10km, que contou com duas subidas até o topo do parque (cerca de 500m de ganho de altitude, a Uphill são cerca de 1700m de ganho.) A coisa não tava boa pro meu lado.

Primeiro treino de subida com o Prorunner 20

Até pouco tempo antes da prova todo mundo achava que eu iria fazer os 25k, acredito que até eu mesmo estava querendo acreditar nisso. Quando falei para minha esposa ela quis me matar, quando falei pro meu treinador ele engasgou e ficou sem palavras. Ambos me desejaram boa sorte, mas ficaram com medo de eu fazer alguma cagada e me machucar. Conversei com eles e falei que iria ser muito conservador e escutar meu corpo sempre. Devido meu histórico nas corridas anteriores, percebi que não levaram muita fé no que falei. Até eu mesmo duvidei.

Pré Mizuno Uphill

Todos os embaixadores da Mizuno Uphill chegaram juntos na região Treviso – SC, local da expo e da largada da maratona. Treviso é uma cidade muito pequena onde o evento literalmente parou a cidade.

Durante a expo era possível encontrar itens exclusivos da prova como camiseta, jaqueta e a edição especial do Mizuno Prorunner 20 Uphill (tênis que corri a prova e que pode ser comprado clicando aqui). Além da loja, havia massagistas para relaxar a musculatura dos atletas e rolou o congresso técnico com todas as explicações sobre as regras da prova e o percurso.

A largada

A manhã do dia 2 de setembro começou com os termômetros marcando 10ºc. Minha maior preocupação era com o frio. Já tinha visto que a temperatura iria subir durante o dia e preferi correr somente com a camiseta da prova e shorts, sem camiseta térmica, manguito ou calça legging.

O Percurso

Logo depois da largada já me deparei com a primeira subidinha, que alterariam com descidas por muitos e muitos quilômetros. Minha estratégia para essa prova era ser conservador ao máximo e curtir todo o percurso. E assim foi por boa parte da prova.

No km 18 passei pela cidade de Lauro Muller, onde é a largada da prova de 25k, e segui para o ponto de corte. Todos os corredores deveriam passar pelo ponto de corte no km 24 em até 3h, caso contrário seriam retirados da prova. Passei com 2h20min, tempo suficiente para encarar a serra com “tranquilidade”.

Em vários momentos várias subidas apareciam pelo caminho, mas outros corredores diziam que a serra ainda nem estava perto, com isso a preocupação aumentava. Sofro muito com câimbras e tinha medo que as pernas travassem e não conseguisse continuar. 

Lá pelo km 30, as pernas já estavam sentindo o esforço e os primeiros sinais de câimbras estavam aparecendo. Tentava correr de vez em quando, sendo incentivado por outros corredores que estavam na mesma situação, mas logo que sentia que as pernas iam travar, parava e caminhava.

Foram muitos e muitos quilômetros andando. Era normal o pace ficar entre 10:00 e 12:00. Nada disso me desanimava, a alegria e a gratidão de estar naquele lugar maravilho era muito maior.

O clima estava lindo, visibilidade total, sem nenhuma neblina. A imagem da Serra do Rio do Rastro era marcante. Muitos reclamavam do calor, confesso que por morar no Rio, a temperatura que já devia estar na casa dos 25ºc não atrapalhou muito.

A vista – não acreditava que tinha vindo lá de baixo.

Faltando cerca de 2km para o fim da prova chega a pior parte, a subida final é um zig-zag com uma inclinação bastante elevada, ali é a hora de fazer o esforço final para alcançar o topo da Serra do Rio do Rastro.

Chegando no platô ta Serra, falta pouco mais de um quilômetro para a linha de chegada. Nesta parte acabaram as subidas e é só alegria, as pernas nem respondem muito bem, mas a sensação de dever cumprido contagia.

Final da Serra do Rio do Rastro.

Depois dessa placa foi só correr pro abraço e ser consagrado Ninja Runner! Foi uma prova muito dura que tive que ter toda paciência do mundo e sabedoria de que não deveria abusar e sim manter a constância durante toda a prova. Meu mantra foi: “Devagar e sempre”.

Últimos passos até a chegada.
Alegria sem fim!

Dicas extras sobre a Mizuno Uphill Marathon

Confira abaixo o percurso no Garmin Connect, o vídeo gerado pelo Relive, a altimetria, dica sobre a Serra do Rio do Rastro e hidratação.

A Altimetria

Quando vi o gráfico com a altimetria fiquei assustado. Veja na imagem a seguir:

A minha maior preocupação sempre foi como chegar lá no topo da serra. Toda hora ficava pensando que horas que iria chegar. Parecia sem fim, mas sempre que olhava para baixo via que já tinha subido bastante o animo renovava.

Para quem for fazer essa prova pela primeira vez, fique tranquilo, todo mundo irá caminhar é até melhor caminhar rápido do que dar aquele trote safado que não sai do lugar e só exige mais esforço.

A Serra do Rio do Rastro

Faltando 18 km para o final da prova começa o trecho que é válido para o título de Lenda da Serra, onde o corredor que fizer esse parte no menor tempo leva o troféu. Este ano, no masculino o campeão foi César Gonçalves Moura com 1h30m37s e a campeã foi Dione D’Agostini Chillemi com 1h50m38s.

Embora a serra só comece faltando cerca de 8km para o fim, bem onde tem o primeiro poste verde, desde o km 18 já começam as subidas. 

Inicio da Serra

Mantenha um ritmo confortável e administre energia, pois mesmo sem parecer as subidas vão sugando energia e cada vez mais fica mais íngreme.

A Hidratação

A hidratação da prova estava perfeita e os pontos de apoio especial que tinha frutas, castanhas, isotônico e coca-cola ajudaram muito. Mas sugiro correr com mochila de hidratação ou cinto tipo flipbelt, para poder levar uma garrafinha extra de água e suplementos como gel, bananada e rapadura. Como se caminha muito, os postos de hidratação podem demorar a aparecer.

Agradecimentos

Se não fosse o convite da Mizuno, não sei quando eu iria participar desta prova. Talvez o medo e a facilidade de dizer que seria um desafio impossível facilitasse a desculpa. Porém, essa foi uma das melhores decisões que tomei: correr os 42k Mizuno Uphill Marahton. Valeu cada metro percorrido e essa prova ficará marcada pra sempre na minha memória. 

Os agradecimentos vão para o pessoal da Mizuno (Fernando, Edu e Teresa), da Milk (Yara e Ju), da X3M (Henrique e  Bernardo) e para o time todo de embaixadores que fizeram essa viagem super especial. Muito obrigado!

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