Kau Araújo e a sua melhor maratona – Parte I

Passei meses sonhando com o dia 26 de julho, pensando, calculando e imaginando como seria a minha terceira maratona. Fiz tantas estratégias e planos, perdi horas de sono, gelava só em pensar e sem dúvida alguma, posso dizer que tudo valeu a pena.

(mmmwew)

Talvez se eu disser que foi uma maratona perfeita, poucos entenderão a perfeição já que eu não cheguei nem perto de fazer meu RP na distância. Mas quando digo perfeita, digo uma maratona inesquecível, intensa e exatamente da forma como eu merecia que fosse. Exatamente da forma como eu lutei para que ela fosse.

Parte do meu trama para chegar zerada no dia “M” nem todos souberam, já que preferi guardar a minha lesão para mim, fisioterapeuta e melhores amigos. Achava que quando mais eu falasse sobre ela, o meu medo de completar a distância consequentemente aumentaria e quem sairia perdendo era eu. De que adiantava lamentar? Puro atraso que chamaria um possível fracasso. Preferi omitir, tratar e treinar quieta, na minha, buscando chegar na maratona com a minha melhor versão – e com a mente tranquila.

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E sim, posso dizer que consegui. Consegui alinhar com as minhas aliadas Mariana e Nadjala sem dor, sem medo, – e com muita, muita fome de km, de fazer o meu melhor, de completar feliz a minha terceira maratona e de provar para mim mesma que eu posso chegar aonde eu bem quiser. O meu desejo de chegar até o fim seria superior à tudo, eu dizia- e de fato, foi.

À convite da Olympikus (muito obrigada, meninas!), fui para o Rio de Janeiro com o time de jornalistas convidado e com eles fiquei todo o tempo na minha estadia na cidade maravilhosa. Desde a retirada de kit – esta que fazia parte do Rio Run Market, feira com produtos de corrida, stands com grandes marcas esportivas – senti um clima e energia diferente. Não estava com o coração na mão como os outros anos e pelo contrário, estava calma, centrada e focada.

Como boa aquariana, confesso que até eu mesma me surpreendi com a forma que eu estava. Amadurecimento? Sim, sem dúvidas, alinhar em uma terceira maratona possivelmente te deixará mais confiante, mas ainda assim, a maratona é uma distância traiçoeira, desafiadora e nunca – nem quando for a sua 50ª – você deve subestimá-la.

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Diferentemente dos outros anos, eu não tive a benção da minha mãe na manhã pré-prova e isso mexeu muito comigo. Tenho uma forte ligação com ela (que também é corredora e é adoradora de maratonas assim como eu) e não vê-la antes de correr, fez com que eu ficasse um pouco nervosa. Dei tchau para ela no sábado a noite, chorei e pedi que rezasse para que eu fizesse uma boa prova. Ela, sempre me dando toda a força necessária, disse para eu enxugar as lágrimas e que o momento era agora. Eu tinha que agarra-lo, não era isso que eu buscava?

Um ano pensando nesse dia e eu deixaria um nervosismo acabar com isso? “Não tema por aquilo que você construiu. Você pode e você fará o seu melhor amanhã”, foram as suas frases e com isso, todo e qualquer medo foi desaparecendo. Porque eu deveria centrar e me focar e só pensar em coisas boas. O grande dia estava chegando e eu não tinha outra opção senão fazer o meu melhor.

(Continua!)

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